29 de novembro de 2016

Mais uma mensagem V

- Lembras-te dele mana? - voltou a perguntar visto que a sua irmã não respondia.
- Ai Rita, não estou a ver quem é esse Filipe... - mentiu Sofia com a voz a tremer do nervosismo crescente que sentia dentro de si. Naquele momento sentiu o  mundo a ruir à sua volta, o coração a acelerar e a respiração a tornar-se ofegante como quando se corre um pouco para apanhar o autocarro. Sofia não queria acreditar que o Filipe estava a jantar com a sua irmã. Não percebia onde é que ele queria chegar...
- Sofia, vê lá se te recordas ...  vamos fazer um brainstorm com as palavras que te vou dizer. Estás pronta?
Sofia queria dizer a Rita que não queria continuar aquela conversa, queria dizer para se afastar dele, para fugir enquanto pudesse mas só conseguiu articular um quase inaudível "Estou pronta".
- Olha... ele está aqui à minha frente e já se fartou de rir com a nossa conversa... ele lembra-se de ti! Então vê lá se as seguintes palavras não te fazem lembrar alguém: férias, surf, loiro... girooo! - Se não fosse a situação que era, Sofia teria achado graça ao jogo da Rita mas queria acabar com aquilo.
- Sim, sim já me lembro dele. O Filipe que conhecemos na Costa da Caparica há muitos anos. - respondeu Sofia emprestando à sua voz uma falsa surpresa.
- Bingooo... acertaste! Ele diz para vires cá ter e jantar connosco. Anda mana...
Sofia tinha a cabeça num turbilhão...
O Filipe estava ao fundo da sua rua a jantar com a sua irmã mais nova mas aparentemente, continuava a manter o segredo que partilhavam. Não parecia que tivesse contado à Rita tudo o que se passara entre eles. Pelo menos Sofia nunca tinha partilhado nada com ninguém, tinham feito uma jura... nunca iriam dizer nada a ninguém.
- Querida, já jantei e para além disso estou cansada e ja vesti o pijama. Olha mana... tem cuidado. Estão sozinhos? - perguntou Sofia receosa do que pudesse acontecer a seguir.
- Não, ele está também com os filhos. Vieram a Lisboa e encontrámo-nos nas Amoreiras. Acreditas  que ele é que me reconheceu? Vá, não te preocupes que depois levam-me a casa e eu mando-te mensagem quando chegar... Ele está a mandar-te beijinhos!
"Com os filhos?"- pensou Sofia. Afinal ele tinha seguido com a sua vida e agora era um pai de família, tinha uma esposa, tinha filhos. Possivelmente estava uma pessoa diferente... diferente do rebelde e irresponsável Filipe que conhecera numa tarde quente de agosto do longínquo ano de 1999, na Costa da Caparica.
Terminaram a conversa e Sofia ficou a olhar para o telemóvel... Kiko acordou e saltou do sofá com a agilidade habitual dos felinos dirigindo-se para a cozinha, já sentia fome e hoje a dona não lhe estava a prestar atenção nenhuma.
A raiva que sentira há pouco mais de duas horas parecia acalmar, dando lugar a um sentimento que tinha aprendido a dominar... saudades.
Fechou os olhos, inspirou profundamente três vezes, recostou-se encolhida no sofá, adormecendo com lágrimas a rolarem nas suas faces.
E de repente, já estava sentada na sua toalha de praia da Coca-cola, biquíni preto reduzido demais para a época, pele húmida e salgada, observando divertida os amigos a jogarem uma partida de futebol no areal da praia, quando o rapaz mais giro que vira na vida passou à sua frente. E o momento estava congelado no tempo... o momento em que o surfista de cabelo oxigenado preso num rabo-de-cavalo despenteado e rebelde, olhos azuis e pele bronzeada cruzou o seu olhar com o dela...

28 de novembro de 2016

Desafio superado

Há 21 dias propus-me fazer algo extremamente difícil para mim... escrever no blogue todos os dias, 21 dias seguidinhos.
Hoje é o 21* dia e superei o desafio!!!
Muito sinceramente não pensei que o fosse conseguir visto que não sou uma pessoa regrada e organizada no que ao lazer diz respeito. Tanto posso passar temporadas a ver séries de televisão, como estar a ler avidamente um qualquer romance ou ainda agarrada à máquina de costura a fazer coisas bonitas. Como ia encontrar tempo para inventar algo para escrever?
Não tenho o hábito de escrever, mas gosto... e agora passei a gostar ainda mais.
Tornou-se um hábito, um tema de conversa cá em casa e principalmente tornou-se um orgulho e um objetivo.
Se escrevi aqui todos os dias foi porque fui recebendo mensagens positivas dos amigos e conhecidos, colegas de trabalho e familiares,  apoiando-me e incentivando-me a escrever mais e mais.
Obrigada a todos os que por aqui passaram. Foi mesmo muito importante para mim.
Agora que passaram os 21 dias resta saber se realmente o hábito se enraizou...
Amanhã logo vejo... mas hoje sinto-me feliz e realizada, pois fiz algo novo pela primeira vez e alarguei mais um pouco a minha área de conforto.

Até amanhã e obrigada por andarem por aí 😉

26 de novembro de 2016

Que chatice...

Hoje queria escrever sobre o dia espetacular que passei com as colegas e amigas da minha escola mas... estou chateada.
Passo a explicar:
- o meu telemóvel desligou-se sem querer e ao voltar a ligar e como estava distraída e na conversa com as colegas, enganei-me três vezes a marcar o PIN;
- o telemóvel ficou bloqueado estando eu em Lisboa e sem acesso ao meu PUK;
- percebi que é muito difícil estar sem telemóvel;
- já em casa tratei de desbloquear o mesmo;
- à noite o telemóvel estava com pouca capacidade para instalar uma aplicação e resolvo desinstalar algo que pensava nunca usar;
- apaguei cerca de 300 fotografias...

Hoje não me apetece escrever mais nada...

LxFactory com as amigas

Ontem foi dia de rumar à margem Norte do Tejo com algumas colegas e amigas para uma formação da Texto Editores. Pois é... os professores também fazem refresh de vez em quando...
Passada a formação chegava a hora do almoço e como tal procuramos algo diferente e especial. Apontámos para o LxFactory em Alcântara que outrora foi uma zona industrial de extrema importância para a cidade. Hoje em dia é uma zona renovada, com diversas lojas jovens, atrativas, diferentes, dinâmicas e surpreendentes.  Continua a manter-se neste local um ambiente industrial e fabril, que pelo que me parece é ainda desconhecido de maior parte dos lisboetas e dos arredores.
Almoçamos uns hambúrgueres deliciosos na Burger Factory que nos conquistou pela decoração dos tetos, pela apresentação dos pratos e por outros pormenores decorativos... só mesmo indo lá!
Seguidamente e do outro lado da estrada, subimos até ao quarto andar de um prédio para bebermos um chá quentinho no Rio Maravilha, um bar/restaurante com uma vista espetacular sobre Lisboa, Tejo e margem Sul. Também este local deslumbra qualquer um seja pela decoração seja pelo ambiente. Aqui ficámos na conversa, partilhámos ideias, sonhos e projetos. Foi um momento de descontração e de partilha.
Não podíamos deixar o LxFactory sem visitar a livraria emblemática LerDevagar e outras lojas que nos despertam curiosidade e vontade de fazer uma data de compras!
Acabou por ser um sábado muito bem passado cheio de boas energias, risadas, gargalhadas e muita conversa... ou não fôssemos nós um grupo de professoras com tantas estórias para contar.

Para quem ainda não conhece o LxFactory fica o convite... não se irão arrepender. Para quem já conhece sabe muito bem do que é que falo...

Venham mais dias assim pois a vida é feita de momentos especiais como este... onde a felicidade é uma constante. No fundo, nós só queremos é ser felizes!
Obrigada às amigas que confiaram na minha "visita guiada" ao Lxfactory!

25 de novembro de 2016

Mais um livro autografado

Costumo dizer que faço coleção de livros autografados. Tenho tido várias oportunidades de conhecer grandes escritores portugueses de livros para crianças quando estes se deslocam às escolas onde trabalho e, não perco a oportunidade de levar para casa um exemplar autografado.
Mais recentemente passei a juntar à coleção, livros de amigos ou de pessoas que conheço aqui e ali. E é sempre com enorme orgulho, felicidade e até alguma emoção que marco presença no lançamento e apresentação das suas obras. Deve ser uma felicidade inexplicável lançar um livro, gravar um disco ou partilhar com o mundo algo que é tão nosso, mas que passa a ser também de todos os demais. Há algo de mágico neste processo... tal como ver nascer um filho que foi crescendo no nosso ventre, e que a partir do nascimento deixa de ser só nosso, passa a fazer parte do universo. Gosto de presenciar esse momento emocionante, arrepiante e gosto de sentir as boas energias das pessoas presentes. Normalmente, a felicidade pura e crua reina neste momentos... e é tao bonito de se ver e de se vivenciar. E hoje foi mesmo assim! 

Hoje foi a vez de ir apoiar o Nuno Sousa, amigo das caminhadas que às vezes fazemos, com ele e com muitos outros companheiros e amigos.
Em conjunto com Maria Carmen Garcia e edição da Capital Book, Nuno lançou, na Fnac de Almada, o livro "Fátima, 100 anos de Fé".
Este é um livro fruto de uma peregrinação a Fátima com o grupo de peregrinos de Fernão Ferro. Basicamente é um olhar despretensioso, único e emocionado captado pelo Nuno através da objetiva da sua máquina fotográfica. O resultado são registos visuais de peregrinos com fé, muitas emoções e com algo a agradecer a Nossa Senhora de Fátima.
A acompanhar as fotografias estão textos dos próprios peregrinos, testemunhos sentidos e na primeira pessoa que expressam de uma forma única o que é isto de ser peregrino, o que é isto de ir a pé até Fátima.

Hoje a minha biblioteca ficou mais rica e a minha coleção tem mais um exemplar autografado! Obrigada!
Parabéns Nuno Sousa... desejamos-te os maiores sucessos para este livro e aguardamos ansiosamente pelo próximo.

24 de novembro de 2016

Caixa de óculos

Hoje foi dia de ir ao oftalmologista. E sim fui eu e não os meus filhotes que por enquanto vêem muito bem. Confirma-se que vou passar a ser uma "caixa de óculos" ou uma "4olhos".
De há uns tempos para cá notava que já não via como antigamente e como sabem, o meu trabalho exige que veja e leia tudo muito bem e há alunos com uma letra bem pequenina...
Lembro-me que na escola primária algumas das minhas amigas usavam óculos e eu tinha cá uma inveja delas... Acabei por também passar a usar uns fraquinhos pois afinal, não tinha tanta necessidade como elas e foi uma alegria que nem imaginam! Os óculos foram escolhidos tendo em conta a durabilidade e o preço e, possivelmente os meus pais acharam-nos bonitos. Obviamente que passado um ano ou dois, já no ciclo detestava os óculos. Só precisava de os usar para ler e escrever por isso "esquecia-me" muitas vezes de os levar para a escola ou então esquecia-me deles (de propósito) na mala e nunca os usava na escola. Já não queria ser a caixa de óculos... Acabei por perdê-los e nunca mais os vi... Acho que levei um grande ralhete da minha mãe.
Já em adulta voltei a usar óculos para trabalhar no computador, ler ou ver televisão, mas não sei bem porquê... voltei a perder os dois ou três pares que usei.
Agora que já tenho quase quarenta anos e após escrever um texto no blogue sobre estar a envelhecer, tenho de me habituar à ideia de que preciso mesmo dos óculos e que não os posso perder.
De modo a aceitar a ideia andei a ver e experimentar diferentes  óculos para escolher o modelo e fiquei tão feliz com a varidíssima oferta. Deixo algumas imagens do género de óculos que gosto... e se ficar assim tão gira como elas então compro logo dois pares...

Mais uma mensagem IV

Sofia precisava dormir e descansar pois estava a sentir-se um farrapo. Após o episódio da casa-de-banho tomou um banho bem quente e vestiu o pijama. Entrançou o cabelo longo e encaracolado e  procurou, em todas as gavetas da casa de banho, um elástico quando se apercebeu que tinha um no seu pulso. Prendeu a trança e olhou-se ao espelho, tinha os olhos inchados pois depois de vomitar, sentara-se no chão e chorara por um tempo que não sabia precisar, 5 minutos? Meia hora? Pela vermelhidão e inchaço dos mesmos poderia bem ter sido por umas boas duas horas.
Não sentia grande fome mas sabia que tinha de se alimentar e não podia deixar que o fantasma do seu passado, afinal bem real e mais perto do que imaginava a deixasse mergulhar numa depressão profunda como havia acontecido há alguns anos atrás. Preparou e comeu uma sandes de ovo e alface e sentiu-se reconfortada.
Deitou-se no sofá, tapou-se com a manta de crochet feita por si e de que se orgulhava muito e ligou a televisão. Kiko resolveu aparecer enroscando-se aos pés da sua dona e fechando logo de seguida os olhos para dormir mais um bocadinho.
Sofia sorriu sentando-se para fazer umas festas no pelo fofo do seu bichano.
De repente lembrou-se que desde que chegara a casa não voltara a olhar para o telemóvel. Foi buscá-lo e a medo olhou para o écran enquanto o desbloqueava...
Oh não... 3 chamadas e uma mensagem. Tinha quase sempre o telemóvel no silêncio por isso era normal não ouvir toques de chamada.
Uma chamada da mãe e duas da sua irmã Rita... mas e a mensagem... Revirou os olhos, mordeu o lábio inferior como que a refrear a curiosidade! Só podia ser do Filipe...
Abriu-a e agora já reconheceu o número, número que decorara havia muitos anos e que tinha tentado esquecer, mas obviamente ficara guardado numa daquelas gavetas da nossa memória que nunca queremos abrir mas que quando o fazemos, saltam pequenos pedaços da nossa vida que preferíamos ter esquecido para sempre. Filipe era uma dessas memórias...
"Então minha querida, não gostaste de saber que estou de volta? Eu não te esqueci! Quando te apetecer telefona-me. Do teu Filipe"
Do meu Filipe? Do meu Filipe??? Lágrimas começaram a escorrer pelas faces de Sofia à medida que mais memórias saltavam daquela gaveta que ela pensava ter trancado e deitado fora a chave...
Ele não podia ter voltado... ele tinha prometido que não me procuraria nunca mais. E Sofia acreditara e refizera a sua vida baseada nessa promessa.
Kiko remexeu-se e olhou para Sofia. Espreguiçou-se e Voltou a enroscar-se para um second round de soninho no sofá.
Sofia voltou a olhar para o telemóvel que começara a vibrar na sua mão. Era a sua irmã Rita mas antes de atender tinha que se recompor pois Rita tinha um sexto sentido apuradíssimo. Respirou profundamente, limpou as lágrimas com a manga do pijama e atendeu:
- Estou Ritinha! Tudo bem mana?
-Alô mana - era sempre assim que Rita iniciava as suas chamadas - Nem imaginas com quem é que eu estou a jantar...
-Não me digas que conseguiste levar a mamã à nova hamburgueria que fomos no outro dia? -questionou Sofia com um sorriso, pois nunca tinham visto a mãe a comer hambúrgueres, dizia que era comida de adolescentes.
- Frio, muito frio... Quer dizer acertaste no restaurante mas não é a mamã -disse Rita soltando uma daquelas gargalhadas contagiantes da sua irmã. 
- Ó mana sei lá... com o teu PT do ginásio???- E foi a vez de Sofia soltar uma gargalhada visto que a Rita tinha uma paixoneta recente pelo seu personal trainer mas não queria admiti-lo.
- Achas? Tonta ... que parvoíce, porque haveria de jantar com o João? Olha já estragaste a brincadeira... Estou a jantar com o Filipe, lembras-te dele? ...

22 de novembro de 2016

O Natal está à porta

Fim de novembro e eu já estou um bocadinho farta do Natal...
Desculpem-me as pessoas que adoram esta época mas eu acho que quando chego à noite de 24 de dezembro já me está a apetecer desmanchar a árvore e mandar calar todos os cânticos de Natal que enjoam ao fim de duas semanas.
Os centros comerciais já brilham com as suas luzes e enfeites, as montras têm neve e renas a chamar os mais incautos para começarem a gastar dinheiro que nem uns doidos, e nos canais infantis de televisão há meia hora seguida de anúncios a brinquedos e jogos.
Cá para mim parece tudo uma conspiração para que gastemos todo o dinheiro que temos e mais uns euros do visa, que depois vamos passar um ano a pagar.
Ah e tal mas é Natal, temos de comprar brinquedos para os miúdos, roupas, perfumes e pijamas para os graúdos... Jóias para as esposas, meias para o avô,  ah e ainda um cachecol para a avó.
Mas porquê??? Porque é Natal -respondem todos em coro.
A sério? A sério que afinal o Natal é isto???...
E as comidas todas que vamos ter de fazer? Horas e horas na cozinha a preparar doces e mais doces só porque é tradição?
Hummmmm, pois também é tradição engordar uns 3kgs nesta altura só porque é tradição comer rabanadas, sonhos, bolo-rei e outras iguarias do género cheias de açúcares, hidratos e gorduras.
E a ceia de Natal que muitas vezes junta famílias numa perfeita harmonia, onde reina a paz, o amor e os sorrisos??? Harmonia essa que só é ensombrada pelos outros trezentos e sessenta e tal dias do ano em que as pessoas discutem, não se falam ou pior ainda, falam mal umas das outras pelas costas.
Dia 25 de dezembro deixou de ser o dia de Natal e passou a ser o dia do lixo que as pessoas teimam em deixar ao lado do ecoponto ( pode ser que vá lá alguém separar o papel dos plásticos e colocar no sítio correto); passou a ser o dia de brincar com os brinquedos todos ( alguns será só mesmo dessa vez) e passou a ser o dia de retirar as etiquetas dos pijamas e dos cachecóis (e juntar à coleção de cerca de 11 pijamas e 28 cachecóis, recebidos em natais anteriores).
Para grande surpresa de muitos, ou não, no dia 26 ou 27 de dezembro começam os saldos e as promoções nas lojas.... Ora bolassss!!!

E assim se passa o Natal que é aquela festa onde:
- gastamos dinheiro desnecessário  (e que às vezes não temos)
- engordamos que nem umas lontras (para caber no pijama xxl que a avó ofereceu)
- somos grandes atores dignos de óscares (sempre que desembrulhamos mais um par de meias ou quando estamos a cear com a sogra do primo da cunhada do irmão que lá foi jantar a casa e nunca a vimos mais gorda)! 

Viva o Natal!!!!
Ps... Eu gosto do Natal ok? O texto é só mesmo para refletirmos um bocadinho com alguma piada à mistura.

E vocês? Gostam do Natal?
😉😆

21 de novembro de 2016

Parabéns filho

Há 12 anos nasceste e vieste mudar completamente as nossas vidas. Éramos 2 e de repente passámos a ser 3!
Foi amor à primeira vista e derreteste o meu coração assim que a Sra enfermeira te pôs em frente à mama e tu, esfomeado, começaste a mamar.
Esse elo de ligação tão importante para mãe e filho é para mim um dos momentos mais bonitos desse dia 21 de novembro de 2004!
Nesse dia ganhei um Príncipe e passaste a ser o nosso novo amor, o centro do nosso mundo e objeto da nossa afeição e dedicação.
Hoje olho para trás e sei que tenho sido uma boa mãe pois tive a sorte de seres um excelente filho.
E sei que vais continuar a ser o meu Danicas, o meu bebecas para todo o sempre!

Dorme bem, sonhos cor-de-rosa, gosto de ti... e não deixes que os bichinhos da cama te piquem!

20 de novembro de 2016

Mais uma mensagem III

Sofia conduzia até casa em piloto automático, não parava de pensar na mensagem "Pensavas que eu não ia voltar? Pois estavas enganada... Quero ver-te!"
Não estava assinada mas Sofia sabia bem quem a tinha escrito e ao contrário do remetente ela não o queria ver!
Aumentou o volume do rádio e prestou atenção ao locutor que falava sobre o trânsito "... trânsito restabelecido na Ponte 25 de abril após aparatoso acidente sentido norte-Sul, envolvendo um pesado e dois veículos ligeiros.  Há a registar dois feridos graves e um ligeiro que foram transportados para o Hospital Garcia de Orta em Almada..." Era para evitar este tipo de acidentes que Sofia preferia deslocar-se de comboio.
Mudou de estação e acalmou-se ao ouvir a voz de Florence Welsh numa das suas músicas mais conhecidas, Shake it out ... e cantarolou o refrão como que a tentar expulsar os seus pensamentos negativos e tão recentes.
Estava perto das piscinas de Corroios quando viu pelo retrovisor do carro que o veículo que vinha atrás de si estava com os faróis desligados. Não gostou e logo pensou que podia ser ele... Já não seria a primeira vez que Filipe a perseguia... Seria ele?
De modo a despistá-lo acelerou e em vez de seguir o seu caminho normal até casa virou à direita na rotunda seguinte, sem fazer pisca e acelerando o máximo que podia. O carro continuou atrás dela.
O coração de Sofia acelerou também e continuou a sua fuga tendo a certeza que seria ele. Percebeu que o carro que a seguia era um velhinho Fiat Punto vermelho e que não era o género de carro que Filipe conduziria, no entanto, sabia bem do que ele era capaz e podia ter aquele carro apenas para a enganar e perseguir.
Roçando o histerismo e com uma condução bastante perigosa Sofia deu a volta ao bairro da Quinta da Marialva e decidiu ir até à esquadra da PSP que era ali bem perto... Lá iria fazer queixa e possivelmente iria sentir-se mais segura, quando reparou que o Fiat Punto acabara de estacionar em frente a um prédio e já não a seguia. Ainda pensou abrandar e verificar quem era o condutor mas estava com tanto receio que fosse o Filipe que preferiu não saber e seguiu viagem para casa.
Saiu do carro e correu para a entrada do predio, felizmente não encontrou nenhum vizinho à entrada ou elevador pois não estava com vontade para conversas de circunstância. As pernas tremiam e fraquejavam, e apesar do frio que se fazia sentir tinha as mãos quentes e suadas. Aquele honem não podia voltar a entrar na sua vida... não podia mesmo!
Assim que entrou em casa atirou a mala e as chaves para o chão, dirigiu-se para a casa-de-banho e tirou o cachecol e o casaco mesmo a tempo de levantar o tampo da sanita e vomitar.

Estão aqui todos os capítulos:

Bolo de alfarroba


Se há coisa que eu adoro, se há coisa que me faz perder a cabeça e estragar todo o regime alimentar... essa coisa chama-se BOLO.
Não interessa qual... eu adoro bolos!
De pastelaria ou caseiros, de chocolate ou de laranja, com creme ou sem creme, grandes ou pequenos, mal-cozidos ou quase queimados...Nem preciso saber o nome ou a origem, como-os e pronto. Leviandades à parte... já estou a salivar só de pensar!
Sei que é um vício (hidratos de carbono + açúcares) e que como qualquer vício que eu conheço só tem desvantagens e prejudica gravemente a nossa saúde.
Assim, sempre que posso tento evitar olhá-los nos olhos, cheirá-los... enfim, amo-os mas sei que a nossa relação não terá futuro. É um amor/ódio nada bonito de se ver...
Procurei uma solução para evitar o divórcio com os bolos, pois há todo um passado para trás que eu não quero esquecer. Ao longo destes anos temos tido altos e baixos e sei que ganhei peso graças a eles... Mas os bolos continuam sempre a gostar de mim e a provocar-me com aqueles cremes brilhantes, aquelas massas folhadas e estaladiças...
Encontrei a solução... vou trair os açúcares e as massas refinadas. Já não quero bolos pouco saudáveis.
Afinal até é fácil confecionar bolos saudáveis.
Afinal até é fácil comer bolos que não nos façam temer o próximo encontro com a balança.

Aqui fica a receita do bolo de hoje:

Ingredientes:

4 ovos
150g de açúcar mascavado
4 colheres de sopa de azeite
100ml de leite
50g de farinha de trigo
1c/chá fermento
1c/chá canela
100g farinha de alfarroba
1pitada de sal
30g avelã triturada
5/6nozes partidas grosseiramente

  1. Batem-se os ovos,o açúcar, o azeite e o sal até a massa começar a aclarar.
  2. Junta-se a farinha de alfarroba e canela até ficar uma massa homogénea
  3. Finalmente junta-se a farinha de trigo, o fermento, o miolo da avelã e o leite e mistura-se tudo bem
  4. Colocar a massa que fica bem castanha e grossa numa forma previamente untada
  5. Com as nozes por cima vai ao forno a 180graus durante cerca de 20 minutos.

A receita é adaptada de várias que o maridinho foi vendo pela net e acabou por fazer umas alterações e assim ficou o nosso bolo de alfarroba!








19 de novembro de 2016

Antes e depois...

                   Vendo assim estas fotos penso que afinal vale bem a pena!




Caminhada Solidária

Ainda não estamos em dezembro mas já cheira a Natal por isso começam os jantares de grupos, os amigos secretos no trabalho, as compras de presentes, as dietas e  as caminhadas solidárias...

É sobre esta última que vos venho falar hoje.

O CASMP - Clube Associativo de Santa Marta do Pinhal vai realizar no próximo dia 18 de dezembro, uma caminhada solidária de Pais Natal, na freguesia de Corroios.

A caminhada é organizada pelo grupo de caminhadas do CASMP, tendo como parceiros a Junta de Freguesia de Corroios, a Câmara Municipal do Seixal e ainda os Bombeiros da Amora e a PSP - Escola Segura.

É uma caminhada de 6 km que percorrerá algumas ruas da freguesia de Corroios e os participantes deverão ir vestidos de Pai Natal ou levar apenas um gorro.
Um dos objetivos é encher as ruas de Corroios com o espírito natalício e motivar a população para a prática de exercício físico, no entanto o objetivo maior desta caminhada é proporcionar aos moradores mais necessitados da freguesia um Natal mais feliz. Deste modo, pede-se aos participantes que contribuam com bens não perecíveis que serão entregues no início da caminhada à Loja Social de Corroios/Miratejo.

Ficam assim todos convidados a participar nesta caminhada solidária que terá início às 9h da manhã no Largo do Mercado de Corroios. Nesta caminhada haverá também uma atuação dos Karma Drums e uma aula de zumba no final.

Eu vou lá estar e levo o marido e os filhos!
Venham também, mas se não puderem vir partilhem a informação para chegar a toda a população de Corroios e das freguesias vizinhas!
Obrigada!

Para mais informações podem consultar o cartaz ou telefonar para o CASMP - 969274015
Importante: As inscrições são grátis mas obrigatórias para efeitos do seguro e poderão ser feitas também no site do CASMP
 www.casmp.pt



I want you to stay

Isto é tão, mas tão bom!

16 de novembro de 2016

Pequenos-almoços fazem sucesso

De há uns tempos para cá tenho vindo a preocupar-me mais com a primeira refeição do dia, que é a mais importante, visto que o nosso corpo passou cerca de 8 horas a "trabalhar devagarinho", leia-se, dormir e precisa de combustível para começar um novo dia.
Primeiramente só aos fins de semana e nas férias pois tinha mais tempo, mas acabou por tornar-se um hábito incontornável e agora, todos os dias dedico-me a fazer um pequeno almoço digno de uma princesa!
Comecei também a tirar fotos e a partilhar no instagram, onde há uma grande comunidade de pessoas que fotografam o que comem e gostam de ver o que os outros andam a ingerir. Motivei-me também por aqui, pois é tão bonito de se  ver, ou seja os olhos também comem!
Entretanto, amigos ou conhecidos falam-me dos meus pequenos almoços... curiosos, com vontade de perceber o que é, como faço, para que como isto ou aquilo... Blá, blá, blá...
Não tenho nada a ver com a área de nutrição ou de saúde mas gosto de ler, pesquisar e informar-me sobre aquilo que posso comer para ter mais saúde.
Assim, fui descobrindo inúmeros "novos" ingredientes para as minhas refeições, experimentando novas combinações de sabores e as consequências são as melhores.
Diariamente, e em jejum, bebo água morna com sumo de meio limão e a seguir como uma papa de flocos de aveia com leite de aveia, arroz, soja ou amêndoa. Normalmente acrescento chia, bagas gogi, sementes de sésamo, sementes de girassol, linhaça e canela. Vai ao micro-ondas por um minuto e delicio-me a comer um pequeno-almoço nutritivo, saudável e saboroso que me deixa saciada durante bastante tempo.
Não é só no pequeno-almoço que tenho investido tempo e sabedoria, também nas outras refeições adquiri hábitos mais saudáveis e também com o objetivo de perder algum peso.
Os resultados estão à vista pois em 3 meses perdi, de uma forma gradual e saudável, 5kgs!
Sinto-me ótima! Mais feliz, mais leve, mais enérgica e mais bonita!
Se é fácil? Sim é fácil se estivermos focados no nosso objetivo, se acreditarmos que conseguimos e se sentirmos que somos merecedores de ter uma vida melhor!
Eu acreditei e consegui... e acredito que muitos de vocês também o conseguirão... basta querer!

Obrigada!

Estou apaixonada

Tenho de confessar que me apaixonei por este género de malas/sacos.

O feltro é um excelente tecido para o inverno e trabalha-se muito bem com ele.

É só escolher a cor, passar os moldes para o tecido, cortar e costurar. Como não leva forro nem fecho acaba por ser tão fácil de fazer que apetece fazer mais, com outras cores e tamanhos.

Estou já a fazer uma mais pequena e Vermelha.... depois mostro o resultado!

Se eu não tivesse dois filhos, um marido, roupa para engomar, testes para corrigir, aulas para preparar, séries na TV para ver e um blogue... juro que me tornava costureira a tempo inteiro.

15 de novembro de 2016

Cada instante é sempre

Gosto de viver os instantes, os momentos, os agoras
Gosto de viver o presente e aceitá-lo como ele é
Gosto de sorrir e que sorriam de volta

Não gosto de viver o passado, do passado e pelo passado
Não gosto de ansiar pelo futuro, poupar para o futuro e planear o futuro
Gosto de gargalhadas e de olhos que sorriem

Cada momento é irrepetível e único
Cada respiração, pensamento e ação tornam cada momento especial

Gosto de momentos felizes
Gosto de pessoas felizes
Gosto de momentos especiais com pessoas felizes

E às vezes é tão fácil
A chave e o mapa para os momentos felizes estão na nossa mão
É só utilizar ...

14 de novembro de 2016

Mais uma mensagem II

Não podia ir para casa... apesar de todos os planos para aquela sexta-feira à noite Sofia não podia ir já para casa. Aquela mensagem tinha-a deixado perturbada, preocupada e com receio do que aí vinha. Saiu da estação de Corroios e dirigiu-se até ao parque de estacionamento onde normalmente deixava estacionado o seu pequeno Fiat 500 branco. Desceu as escadas rapidamente tal como muitos outros companheiros de viagem que queriam chegar rapidamente às suas casas.
Estava uma noite fria e húmida, considerada normal para a altura do ano. Dezembro estava a começar a parecer um inverno rigoroso e os dias soalheiros e amenos que caracterizaram o mês de novembro já começavam a deixar saudades.
Apertou os três botões do seu casaco comprido e preto, ajeitou o cachecol da mesma cor e encolheu-se como que a querer tornar-se invisível, algo que fazia há bastantes anos. Quem lhe dera ser invisível.  Tinha já enxugado as lágrimas e agora o choque inicial dava lugar a um sentimento de raiva e de impotência.
Ia telefonar à sua irmã... sim, ela está sempre disponível e o seu sentido de humor iria ajudar a Sofia a esquecer aquela mensagem. Mas não lhe podia contar nada... ela não iria entender.
Entrou no carro, fechou a porta e trancou-o... Estava escuro e Sofia não se sentia segura naquele local, muito menos agora... Baixou o volume do rádio e pegou na mala para procurar o telemóvel. Ia telefonar à Rita a convidá-la para jantar.  Precisava de companhia e de se distrair e a sua irmã 5 anos mais nova era agora a sua melhor escolha.
Antes de desbloquear o telemóvel... fechou os olhos, inspirou e sussurrou com a voz trémula: "que não haja nenhuma mensagem... por favor... que não haja nenhuma mensagem".
Não havia nenhum ícone para mensagem nova.... Suspirou de alívio!
Rita era um dos contactos mais utilizados, para além de irmãs eram muito amigas e confidentes. No entanto, desta vez não atendeu a chamada...  Desilusão. Sofia tentou mais uma vez e nada...
"Merda, Rita.... atende...!"
O nervosismo começou a apoderar-se de Sofia e sem saber o que fazer a seguir pensou na mensagem... fechou os olhos e só conseguiu visualizar aquelas palavras desconcertantes, conseguiu imaginar o sorriso irónico do remetente da mesma enquanto a escrevia... Só não conseguia perceber porquê... qual a razão daquela mensagem, agora, quase dez anos depois da última mensagem.
"Sofia, não sejas parva... tu és forte e estás em segurança. Vai para casa e esquece o assunto... " - disse para si mesma em voz alta, como se estivesse a dar conselhos a uma amiga.
"Sim, é isso mesmo... eu sou forte! Não é uma merda de uma mensagem que me vai deitar abaixo"...
Inspirou e expirou profundamente 3 vezes, como fazia sempre que se sentia cansada ou tensa, meteu a primeira e arrancou conduzindo rumo a casa sem imaginar que aquela não ia ser uma viagem normal...

Estão aqui todos os capítulos:


13 de novembro de 2016

Dona Inspiração...

Realmente eu não ganho juízo... agora ando parte do dia a pensar sobre o que irei escrever no blogue, principalmente para continuar a história da Sofia que eu escrevi aqui .

Mas porque raio é que me desafiei a escrever todos os dias no blogue???

Ao contrário do nome do blogue, não é fácil não. Não é fácil tirar um tempinho do nosso dia para pensar, planear, escrever, corrigir, alterar, apagar, suspirar, recomeçar, editar, publicar... 

A inspiração só vem quando lhe apetece, essa malandra! Por mais que eu a chame ela faz-me o "dedo do meio" lá do sítio recôndito do meu cérebro e deita-me a língua de fora!

Sendo assim, enquanto a "sra.dona inspiração" não vem vou contar-vos como animado é o meu domingo.................................................................................................................................

Dia 6 do desafio - feito

PS. Desafiei-me a escrever qualquer coisa durante 21 dias seguidos e não especifiquei o número de palavras, nem a qualidade dos textos, por isso... não refilem! 




12 de novembro de 2016

Hoje não escrevo nada

Hoje não consigo escrever nada... 
Hoje não quero escrever nada...
Hoje não me vou esforçar...
Hoje só quero agradecer
A todos os que por aqui passaram
Hoje as palavras são para vós
Que me leram e elogiaram
Que leram e não gostaram
Que leram e partilharam
Muito obrigada! 

Vou continuar a dedicar-me
Mas não hoje... hoje  não consigo
Hoje fico-me por aqui...


                                                                                    (imagem retirada da net)




11 de novembro de 2016

A vida é um teatro

A vida é um teatro

A vida é uma peça de teatro onde cada um de nós é o protagonista.
Apesar dos ensaios por vezes falhamos e somos apupados. Somos os maus atores, os fingidores básicos e mal-formados.
Por vezes não temos ninguém na plateia a assistir e sentimo-nos derrotados, desiludidos e desamparados.
Por vezes quem assiste à peça bate palmas por bater, por simpatia, por amizade... e nós não andamos no teatro para isto... Nós, os atores da vida real queremos esgotar bilheteiras, queremos impressionar crianças e adultos, queremos deixar boquiabertos todos os que pagaram bilhete...

Hoje na minha escola eu senti que os "meus" atores preferidos mostraram que nem sempre isto acontece...

Subiram ao palco e depois de 2 ou 3 ensaios mostraram aos colegas de outras turmas que é possível fazer um belo espetáculo quando se tem vontade, quando se quer mostrar aos outros de que fibra somos feitos e quando se sabe que há alguém que acredita em nós!

As minhas 25 crianças ficaram tão felizes com os aplausos sinceros das outras 120. Fiquei orgulhosa e soube muito bem dar-lhes os parabéns, dizer-lhes que estiveram perfeitos e que deixaram a professora mais feliz do que nunca!
  
Hoje esgotámos bilheteiras, hoje impressionámos crianças e adultos e, apesar de não terem pago bilhete ficaram de boca aberta...

Foi um dia muito feliz e emocionante, para mim e para eles! Ao poucos vou-me despedindo destes miúdos... Foi o último S. Martinho com eles... Vou ter saudades!

Mais uma mensagem

Sofia ia já na página 215 do livro Misery de um dos seus autores favoritos, Stephen King, quando o comboio abrandou e estacou... em cima da ponte.
"Outra vez?!" -pensou ela. Nos últimos tempos acontecia com alguma frequência este tipo de contratempo, no entanto, Sofia não se preocupou muito. Estava de regresso a casa e por mais atrasada que chegasse, ninguém ia dar pela sua falta, ninguém a esperava para jantar. Vivia sozinha há  muitos anos, há anos demais, pensava ela por vezes...
Sofia olhou em seu redor e teve pena das outras pessoas que mostravam estar aborrecidas, preocupadas e até  mesmo nervosas com a situação, possivelmente algumas teriam os filhos na escola à sua espera; o jantar para cozinhar ou aquecer; um marido ansioso e preocupado com a demora... Enfim, Sofia preferia saber que quem a esperava em casa não tinha grande noção do tempo ou das horas e que nunca ficaria preocupado por a  sua dona estar atrasada. O Kiko gostava dela mas adorava a sua caminha e só ronronava perto da dona quando tinha fome. O gato Kiko era a única companhia de Sofia!
Sofia tirou os fones dos ouvidos aguardando ouvir alguma informação relacionada com a paragem do comboio mesmo no meio da Ponte 25 de abril. Mas logo voltou a colocá-los pois as conversas banais e parvas das pessoas que a rodeavam deixavam-na... entediada. "Serei uma anti-social?" pensou ela enquanto esboçava um ligeiro sorriso e abanava ligeiramente a cabeça.
Fones colocados e volume quase no máximo pois era assim que gostava de ouvir música... Plug In dos Muse faziam-na fechar os olhos, sentir as notas desconcertantes da faixa e querer poder cantar baixinho ou alto, como faz em casa quando está sozinha, com o Kiko.
O livro ficava agora para segundo plano... a música absorvia-a de tal maneira que tudo à volta parecia desaparecer, a mensagem da letra e a envolvência da voz de Matthew Bellamy, deixavam-na num êxtase difícil de explicar... Por sorte já tinha visto a banda ao vivo e desde então tinha ficado ainda mais fanática por eles. Sim, Sofia era incapaz de gostar apenas de algo... ela era uma mulher de extremos... ou amava ou odiava. Portanto ela amava os Muse e todas as suas músicas...
Estava já a ouvir New Born quando o comboio muito lentamente retomou a sua marcha... abriu os olhos e olhou pela janela do comboio, tentando ver o rio ou a capital mas já era noite e os vidros apenas refletiam o interior do comboio. Voltou a fechar os olhos e abanar a cabeça ao som da música.
Queria chegar a casa, tomar um banho, vestir o pijama quente e pouco sexy, comer uma sopa e aninhar-se no sofá... Possivelmente seria das poucas mulheres de 40 anos e solteira a desejar este programa para uma sexta-feira à noite. Mas Sofia era assim... tinha os seus hábitos, rituais, manias... sabia que era uma pessoa difícil, diferente e única mas... adorava ser assim!
Estava a chegar à sua estação então arrumou o livro na mala, sabendo que mais logo, antes de adormecer leria mais umas páginas; desligou a música do seu telemóvel e arrumou os fones.
Voltou a olhar para o telemóvel para ver as horas quando reparou que tinha uma mensagem. Desbloqueou o telemóvel enquanto se levantou do lugar e se dirigiu para as escadas. Estava muita gente a fazer o mesmo que Sofia e enquanto esperava que o comboio parasse e a porta se abrisse, Sofia, franzindo a testa, abriu a mensagem cujo número não reconheceu logo.
Leu a mensagem uma, duas, três vezes e não gostou do que leu. "Não acredito que isto me vá acontecer de novo... " - pensou ela enquanto apagava a mensagem e saía apressada do comboio. Se alguém a estivesse a observar notaria que os seus olhos de repente, ficaram marejados de lágrimas!

9 de novembro de 2016

A vida é muito curta

No dia em que acordámos com a notícia que Donald Trump foi eleito para presidente dos Estados Unidos deveria escrever algo sobre este assunto, no entanto, não me vou pronunciar por agora sobre o mesmo. Prefiro escrever sobre algo que me está a deixar preocupada, não com o mundo mas comigo...

Lembro-me de rir ao ver a minha mãe adormecer no sofá a ver a novela.
Lembro-me de rir por ver as pessoas mais velhas franzirem a testa ao tentar ler um rótulo de uma embalagem.
Lembro-me de rir ao ver senhoras mais velhas a pintar o cabelo todos os meses...

Pois agora chegou a minha vez de fazer estas três coisas entre tantas outras que só afetavam as pessoas mais velhas. Apercebi-me que já sou uma dessas pessoas!

Adormeço no sofá a ver qualquer série do meu interesse; foco o olhar para ler"qualquer coisa" com letras mais pequenas e sim, já tenho tantos cabelos brancos que um dia uma aluna me perguntou se eu já era nascida quando foi o terramoto ... de 1755. Lembro-me de ir à Expo98 como se fosse ontem e afinal já foi há 18 anos; muitos dos meus primeiros alunos já são pais e em algumas fotos já pareço a minha mãe!

Caramba... quando é que isto aconteceu? Como é que o tempo passou tão rápido e eu nem dei por ele?

É por isso que cada vez mais tenho a certeza que "a vida é muito curta para só ser feliz ao fim-de-semana"!

8 de novembro de 2016

Desafiei-me a fazer isto... e agora?

Pois é, o bichinho continua cá dentro... gosto de escrever, gosto de ler, gosto de blogues por isso desafiiei-me a escrever todos os dias no blogue.

Diz quem sabe, que um hábito para ficar realmente enraizado deve ser repetido durante 21 dias,  pois então é este o meu dasafio.

Caso falhe, perguntam vocês... sei lá... vou ao castigo!

Desafio iniciado

Dia1- feito