20 de novembro de 2016

Mais uma mensagem III

Sofia conduzia até casa em piloto automático, não parava de pensar na mensagem "Pensavas que eu não ia voltar? Pois estavas enganada... Quero ver-te!"
Não estava assinada mas Sofia sabia bem quem a tinha escrito e ao contrário do remetente ela não o queria ver!
Aumentou o volume do rádio e prestou atenção ao locutor que falava sobre o trânsito "... trânsito restabelecido na Ponte 25 de abril após aparatoso acidente sentido norte-Sul, envolvendo um pesado e dois veículos ligeiros.  Há a registar dois feridos graves e um ligeiro que foram transportados para o Hospital Garcia de Orta em Almada..." Era para evitar este tipo de acidentes que Sofia preferia deslocar-se de comboio.
Mudou de estação e acalmou-se ao ouvir a voz de Florence Welsh numa das suas músicas mais conhecidas, Shake it out ... e cantarolou o refrão como que a tentar expulsar os seus pensamentos negativos e tão recentes.
Estava perto das piscinas de Corroios quando viu pelo retrovisor do carro que o veículo que vinha atrás de si estava com os faróis desligados. Não gostou e logo pensou que podia ser ele... Já não seria a primeira vez que Filipe a perseguia... Seria ele?
De modo a despistá-lo acelerou e em vez de seguir o seu caminho normal até casa virou à direita na rotunda seguinte, sem fazer pisca e acelerando o máximo que podia. O carro continuou atrás dela.
O coração de Sofia acelerou também e continuou a sua fuga tendo a certeza que seria ele. Percebeu que o carro que a seguia era um velhinho Fiat Punto vermelho e que não era o género de carro que Filipe conduziria, no entanto, sabia bem do que ele era capaz e podia ter aquele carro apenas para a enganar e perseguir.
Roçando o histerismo e com uma condução bastante perigosa Sofia deu a volta ao bairro da Quinta da Marialva e decidiu ir até à esquadra da PSP que era ali bem perto... Lá iria fazer queixa e possivelmente iria sentir-se mais segura, quando reparou que o Fiat Punto acabara de estacionar em frente a um prédio e já não a seguia. Ainda pensou abrandar e verificar quem era o condutor mas estava com tanto receio que fosse o Filipe que preferiu não saber e seguiu viagem para casa.
Saiu do carro e correu para a entrada do predio, felizmente não encontrou nenhum vizinho à entrada ou elevador pois não estava com vontade para conversas de circunstância. As pernas tremiam e fraquejavam, e apesar do frio que se fazia sentir tinha as mãos quentes e suadas. Aquele honem não podia voltar a entrar na sua vida... não podia mesmo!
Assim que entrou em casa atirou a mala e as chaves para o chão, dirigiu-se para a casa-de-banho e tirou o cachecol e o casaco mesmo a tempo de levantar o tampo da sanita e vomitar.

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