12 de dezembro de 2016

Mais uma mensagem XI

O beijo foi tão inesperado que Sofia nem teve tempo de pensar ou de reagir... e manteve-se quieta durante os longos segundos que durou o beijo e apenas sentiu... Sentiu o cheiro quente e sensual do surfista, sentiu as suas mãos fortes e grandes a tocarem-lhe firmemente nas suas costas na curva da cintura, sentiu o sabor quente e molhado dos lábios e da língua que ardentemente procurava a sua. Um beijo quente, sensual e arrebatador que Sofia não queria que acabasse nunca...
Filipe entretanto coloca a mão direita na nuca de Sofia, os dedos penetrando os largos e suaves caracóis controlando ainda  mais o momento e desarmando a morena que tanto o provocava e excitava.
Terminado o beijo... testas encostadas, respiração ofegante e de repente Filipe afasta-se:
- Desculpa Sofia.... eu não tinha planeado nada disto. Espero que não me tenhas levado a mal... não me controlei! - Disse ajeitando o seu cabelo rebelde, demostrando algum nervosismo.
Sofia ainda tinha as pernas a tremer, encostada à carrinha, boca semi-aberta e respiração descontrolada queria dizer algo mas limitou-se a, instintivamente, passar a língua pelos lábios, como que a tentar prolongar o sabor do surfista, a tentar guardar na memória aquele momento.
- Vamos almoçar? - Foi o que conseguiu dizer sorrindo e ajeitando também ela o seu longo cabelo, atirando-o para trás das costas. Filipe sorriu também, e gravou na memória aquele gesto sensual que Sofia acabara de fazer com o cabelo.
Trancou a carrinha, guardou a chave no bolso das calças de ganga, levantando ligeiramente a t'shirt branca, deixando momentaneamente à vista uns abdominais trabalhados e morenos. Sofia viu e agradeceu a si mesma por estar atenta a tais pormenores pejados de sensualidade.
- Vamos a isso, estou cá com uma fome...
Seguiram lado a lado e em silêncio até à pizzaria que se encontrava no interior do centro comercial. Provocaram-se mutuamente com ligeiros toques de mãos que fingiam ser ocasionais e trocaram olhares silenciosos mas plenos de significado. Em cada uma das mentes um turbilhão de palavras e sensações ficavam guardadas, trancadas e amordaçadas até serem libertadas.
Era cedo e apenas uma mesa estava ocupada com um casal de idosos. Filipe escolheu uma mesa encostada a uma grande janela que dava para um extenso  jardim relvado, onde alguns casais de namorados passeavam de mãos dadas, e sentaram-se frente a frente. Ambos estavam excitados  mas também confusos com o que havia acontecido e não sabiam o que dizer. Olharam-se nos olhos e Sofia riu-se timidamente...
-Gostei do beijo, não precisavas pedir desculpa. - Disse baixando ligeira e timidamente a face.
- Gostaste? - Filipe ajeitou-se na cadeira e endireitou as costas, demonstrando surpresa.- Eu amei o beijo... Aliás,  desde o primeiro momento que te vi lá na praia que não me saíste do pensamento, mas... -Filipe foi interrompido pelo empregado que lhes levava o menu para escolherem e fazerem o pedido.
Sofia não tirou os olhos de Filipe que entretanto conversava com o empregado sobre o tamanho das pizzas e o tipo de massa.
Sofia nem conseguia pensar em comer pizza nenhuma... queria absorver e guardar para sempre aquele momento. Queria continuar a sentir as pernas a tremer, o coração a bater descompassadamente e aquela sensação estranha no baixo-ventre que denunciava que o seu corpo queria sentir muito mais do que beijos.
Sozinhos de novo Sofia voltou à realidade:
- Podes continuar... quando fomos interrompidos dizias ... "mas". Quero ouvir o que ias dizer a seguir. - Sofia sabia que ele ía mencionar que tinha namorada e que não podia fazer aquilo à rapariga, mas surpreendeu-se com o que ouviu a seguir.
- Sim, é verdade...-continuou Filipe- mas, tu tens uma relação e eu não me quero intrometer. Pelo que sei estão zangados mas poderão reatar ... - Sofia abriu muito os olhos, não acreditando que ele falava do Ricardo que já era mais do que passado.
- Filipe estás muito enganado... eu e o Ricardo já nada temos um com o outro. Mas eu sei que tu ... - interrompidos novamente pelo empregado resolvem escolher uma pizza do agrado de ambos e um jarro de sangria tinta.
- Mas eu sei que tu... tens uma namorada na Nazaré! - Disse Sofia friamente analisando ao pormenor a sua reação. Filipe desviou o olhar para a grande janela, o seu sorriso constante e lindo deu lugar a uma boca cerrada demonstrando preocupação ou desilusão. O facto de não encarar de frente Sofia e não lhe olhar nos olhos denunciou que não ficara confortável com o que lhe dissera e observando o jardim disse:
- Não sabia que sabias disso... A minha prima tem uma língua do caraças... 
Voltou a olhar para Sofia e apenas disse que se calhar era melhor mudarem de assunto...

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