1 de maio de 2017

Mais uma mensagem XX

Filipe não estava feliz... sentia-se deprimido e triste. Por mais que tentasse esquecer os bons momentos que passara com Sofia não havia como o fazer. Chegava a adormecer com ela no pensamento, sonhava com a sua imagem e o primeiro pensamento a surgir de manhã era o seu sorriso. Não gostava da sensação pois sempre pensara que Sofia seria apenas uma aventura passageira, no entanto, sentia saudades dela e o seu coração sorria sempre que se lembrava dela.
A Patrícia, sua namorada e companheira, apesar de andar  tão distraída e ocupada com os campeonatos de surf que organizava pelo país inteiro, reparava que ele andava distante e diferente... indiferente também. Questionou-o várias vezes sobre a razão da sua indiferença, chegando mesmo a perguntar-lhe se ele havia conhecido outra pessoa. Fê-lo em tom de brincadeira mas deixou Filipe ainda mais ansioso em relação aos seus sentimentos. Não iria pôr em causa uma relação certa e real com Patrícia por não conseguir parar de pensar em Sofia. Ainda se ela lhe ligasse, se lhe desse um sinal de que valeria a pena... possivelmente ele não esperaria pela segunda oportunidade.
Por várias vezes pensou voltar à Costa de Caparica... por várias vezes ponderou telefonar a Sofia para ouvir a sua voz e o seu riso... mas de cada vez que tal lhe passava pela mente, acabava por desistir pois sabia que ela estava bem sozinha e que muito provavelmente nem pensava nele. Ela mesma tinha afirmado que não estava disponível para relacionamentos longos...
Acabou por se dedicar ao seu novo negócio um restaurante bem perto da Nazaré, no Sítio, onde podia, a qualquer altura pegar na sua prancha e dominar as ondas ou simplesmente sentar-se numa das escarpas e observar o mar, o pôr-do-Sol e toda a beleza natural que tanto adorava. Por vezes visitava os seus avós em Abrantes, a sua cidade Natal. Sabia bem voltar a casa, estar com os amigos e com os seus segundos pais. Os avós cuidavam dele desde que Filipe ficara órfão e esmeraram-se na sua educação. De qualquer forma Filipe tinha sido um jovem rebelde e malandro, até conhecer Patrícia num campeonato de surf na praia Grande. Apaixonaram-se logo e pouco tempo depois já viviam juntos. Foi com Patrícia que Filipe se imaginou casado, a ter filhos... Tinham o mesmo estilo de vida, ambos tinham os mesmos interesses e Filipe conseguia imaginar-se a ser fiel àquela mulher... Até conhecer Sofia!
Agora tudo o que imaginara com Patrícia visualizava Sofia no seu lugar e a sensação de ser Sofia a sua mulher era muito mais interessante. A ideia de Sofia poder ser um dia a mãe dos seus filhos deixava-o bastante mais feliz...

Entretanto, em Lisboa, Sofia saía da livraria com um plano em mente... Meteu-se no carro e seguiu viagem até à Nazaré. Já tinham passado três meses desde que recebera a última mensagem de Filipe e o tempo que passara servira para ponderar no que tinha em mente. Iria procurar Filipe. Queria conversar com ele... estava farta de jogar aquele jogo. Queria chegar ao the end! Apesar de ter apagado o número de telefone da sua lista de contactos tinha-o memorizado mesmo sem querer. Assim que chegasse ao destino iria ligar-lhe... e explicar a razão de o querer ver. Não gostava daquela sensação de um trabalho inacabado... era quase como ler um livro que estava a adorar, colocá-lo numa prateleira para nunca mais o ler. Ela queria saber o final desta história.

O reencontro não foi nada o que cada um tinha em mente... Ambos chegaram ao local combinado de pé atrás e sem saberem muito bem como se comportarem perante o outro. Filipe chegou cedo visto que o local combinado era bem perto do seu restaurante. Tinham optado por se encontrarem num sitio público, mesmo no miradouro com uma vista magnifica sobre Nazaré, sobre o oceano... seria um local romântico para um casal namorar, trocar juras de amor ou beijos apaixonados. Mas Sofia tinha deixado bem claro, na conversa que tiveram ao telefone, que  apenas queria conversar. Filipe estava ansioso e feliz por voltar a ver Sofia, ainda que soubesse que não a iria ter nos braços, principalmente ali... na rua onde muitas pessoas conhecidas o poderiam ver.

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